⛵ A MINHA EXPERIÊNCIA | VELA » part I
Por volta de 2000 decidi que queria ter um veleiro. Como vivia no Seixal, que tem uma baía maravilhosa e de grande tradição naútica, aproveitei e fui tirar um curso de vela na Associação Nautica do Seixal.
Mas não acabei porque nessa altura tive um Burnout e numa das sessões iniciais, senão a primeira, virei totalmente o Raquero ... e percebi imediatamente que não estava bem psicologicamente...
Já tinha há muito indicios que manifestavam um esgotamento nervoso : ir para o trabalho a horas completamente erradas, colocar no frigorifico objetos estranhos, durante um treino de kick Boxing não me esquivei e levei um pontapé no nariz que ficou de 'banda'. O restaurante onde almoçava todos os dias, antes de ir trabalhar para o Cenjor, tive que deixar de frequenta-lo pela vergonha dos disparates que fazia constantemente. Mais tarde, depois deste episódio com o veleiro, percebi que não conseguia raciocinar: trabalhava como programador informático há muitos anos e ... não conseguia nem programar uma linha de código ! E foi só aqui que decidi finalmente ir a uma consulta medica, depois de ter informado a minha entidade patronal que ia me ausentar porque estava totalmente incapacitado...
Mais tarde recuperei (infelizmente nunca mais fiquei a 100 %) depois de ter parado com varias actividades, evitar 'noitadas' e de beber os imensos cafés que bebia e ... com a experiencia num veleiro de um amigo meu (Rui Coias), que o tinha desafiado para o tal curso de vela no Seixal, mas que irónicamente era eu que assumia a parte da vela, pela leitura de muitos livros que andava a ler sobre a arte de velejar,
decidi comprar um veleiro : comprei o Mykonos em 2001, em segunda mão mas praticamente novo, um veleiro fabricado em Portugal por Delmar Conde, o modelo DC740, que tinha um patilhão retratil para permitir navegar em águas pouco profundas. A tripulação invariávelmente era constituida pelos meus amigos Rui Coias, Luís Esteves e Celso Moreira (este mais tarde comprou-me 50% do barco) que sabiam ainda bem menos do que eu.
Tive ele em Sesimbra e depois de um acidente que podia ter tido consequencias trágicas, devido à minha inexperiência e da reparação em Aveiro nos estaleiros de Delmar Conde, levei para o Seixal, onde vivia . Eram tempos maravilhosos : muitas vezes ia velejar de manhã e só depois ia para Lisboa, almoçar e ... finalmente trabalhar na tal programação informática que me dava muito gozo, e especialmente em ter o centro de formação totalmente informatizado por mim.
Anos mais tarde levei para Sesimbra, numa viagem cheia de peripécias ... Ficou lá na marina, e mais tarde numa poita e ... em 2007 vendi o veleiro. Depois tive muitas experiências com outros veleiros e fiquei com uma certeza e frustração : se tivesse começado mais novo, hoje de certeza que seria um 'marinheiro', um 'homem do mar' e seria mais que certo que andaria a vagabundear pelo mundo fora. Fico-me pela leitura destas aventuras que tanto me fascina.