🏍️ COMEÇEI A ANDAR DE MOTA
Em Maio de 2024, fui buscar ao Prior Velho uma Yamaha Xmax 125 de 2018, com menos de 12.000 kms e parada à dois anos. O seu simpático proprietário tinha uma hérnia e estava a fazer hemodiálise, o que dificultava o uso da scooter. Anteriormente, usava a mota para se deslocar ao seu trabalho, uma agência bancária no centro de Lisboa. Curiosamente, uns dias antes, fui a esse local efectuar uma 'escritura' e reparei que estava repleto de motas, principalmente scooters. De facto, esta solução, com as devidas precauções, é o ideal para fugir ao trânsito nas grandes cidades e é uma opção muito económica, quase ao nível dos carros electricos, óbviamente nas cilindradas mais baixas. Tenho um Jeep Nissan Terrano II desde 2000, que compromete toda a minha 'mobilidade' pelo que gasto em gasóleo. Por isso, o meu objectivo era obter um meio de transporte económico e com capacidade de carga para ir às compras.
Depois de meses de pesquisa, cheguei à conclusão de que as motas que se enquadravam nas minhas pretensões eram básicamente duas : a Honda Forza 125 e a equivalente da Yamaha, a Xmax 125 . Permitiam serem conduzidas com carta de carro e ofereciam um grande espaço de arrumação sob o banco. Além disso, eram muito mais robustas e grandes que as outras scooters da mesma cilindrada. Gostava mais do design da Yamaha e foi essa que acabei por comprar.
Nunca tinha andado de mota, não sou novo e esta scooter pesa 175 kilos, mais que algumas motas de 500/600 cc. A título de curiosidade, a Xmax 300 é rigorosamente igual e pesa apenas mais 4 kg. A mota tem a carroçaria da familia XMAX, hoje com motorizações que vão até aos 560 cc. O facto de esta Xmax 125 ser muito pesada, ajuda numa eventual subida de cilindrada. Além disso chego a transportar 20 kilos no compartimento debaixo do banco que tem uma capacidade de 45 litros, o que perfaz 195 kilos.
Algumas pessoas tentaram dissuadir-me da decisão, principalmente pelo peso dela ; no entanto, avancei : iria buscá-la na véspera para poder treinar e, no dia seguinte, transportá-la de Lisboa para Castelo Branco. E assim fiz. O vídeo a seguir foi gravado nessa ocasião: :
Quase na mesma altura, comprei um carro, um Ford C-Max, 120 cv, na versão Titanium e repleto de extras. Mas... é apenas mais um carro ; a mota é que me dava 'pica' e grande gozo, apesar de, durante algum tempo , ter uma certa apreensão devido à minha falta de prática. Era raro o dia em que que não estava na iminência de cair , e curiosamente isso acontecia quase sempre com a moto quase parada. Percebi que a dificuldade está em manobrar a moto a baixa velocidade ou mesmo parada, quando ela perde o equilíbrio.
Já se passaream aprox. 3 meses e eu já me sinto confiante ao conduzir este 'brinquedo'. Nesse sentido, quero dar algumas dicas, para ajudar a quem está começando a andar de mota, especialmente se for pesada como a minha. Aproveito também para desaconselhar quem pretende iniciar-se na condução de motos muito pesadas, com mais de 200 kg : se eu tivesse uma mota com essas caracteristicas, já a teria deixado cair uma infinidade de vezes.
YAMAHA XMAX 125 | SCOOTERS
A ciclística desta mota é muito avançada e, de facto, é necessário fazer muita 'merda' para ela cair. Além disso, ela possui dois grandes atributos que ajudam os iniciantes como eu : ABS e controle de tração. Este último já me ajudou em uma curva onde encontrei gravilha e a roda traseira derrapou.
Tem um espaço de arrumação fantástico. Pensava comprar um 'top case' mas desisti, porque estraga a estética e não existe necessidade. Dizem também, que muitas vezes, este objecto ao vibrar, faz um barulho desagradável.
Mas muita atenção a um pormenor : esta mota não é para pessoas baixas, porque eu tenho 1,81 mt e com ela parada fico em bicos de pés.
INFORMAÇÃO PERTINENTE
1º Não dar 'aceleradelas', como se faz muma mota normal, (muitas vezes em ponto morto), apenas para ouvir o "roncar" do motor : os movimentos devem ser o mais suaves possível para proteger as 2 polias e a correia da engenhosa transmissão CVT usada em scooters. Este sistema, inventado por Leonardo da Vinci em 1490, não consegue ser implementado em motas mais potentes. O CVT oferece ao condutor acelerações suaves, economia de combustível e, obviamente, maior facilidade na condução. É particularmente eficaz em baixas velocidades.
2º Desligar a scooter pelo interruptor central, e não baixando o descanso lateral, pois, com o tempo, isso pode causar problemas na centralina.
3º Nos dias mais frios, quando as temperaturas estão abaixo dos 10 graus, para evitar o desconforto - apesar de a scooter, com sua carenagem, já oferecer uma pequena proteção - usem calças térmicas finas por baixo das calças normais, uma gola de tecido tipo polar que proteja completamente o pescoço, um gorro por baixo do capacete e, na ausencia de luvas de inverno de alta qualidade (que costumam ser muito caras), utilize proteções para os punhos do guiador (sejam rigidas ou de tecido, as manoplas). Os punhos aquecidos, ao que parece por fontes fidedignas, são um extra que não compensa rigorosamente nada. E faz sentido, porque só devem aquecer as palmas das mãos. Atenção que já existem luvas aquecidas, tais como casacos.
4º Ao encontrar buracos e lombas numa scooter devemos abrandar e aliviar ligeiramente o peso do banco (1 segundo) e manter o guiador firme são os três passos essenciais. Não é preciso — nem prático — ficar totalmente de pé numa scooter ; basta levantar um pouco o corpo para evitar impactos diretos na coluna. Numa mota tradicional é fácil conduzir de pé porque os poisas pés ficam por baixo do corpo e o guiador é mais alto, permitindo manter equilíbrio e controlo. Numa scooter, os pés estão muito à frente e o guiador é mais baixo, o que torna impossível alinhar o corpo sobre o centro da mota. Por isso, numa scooter só faz sentido levantar ligeiramente o corpo por um instante, apenas para aliviar impactos, nunca para conduzir de pé.