DESPORTO

⛵ AS MINHAS EXPERIÊNCIAS | VELA » part II

VELA & GOLFINHOS

Viagem à vela de Lisboa a Tróia com o meu amigo Cláudio Martins. Este veleiro Catamaran de nome 'Vertigem Azul' foi construído pela 'Fountaine Pajot' e faz observação dos golfinhos no estuário do Sado .

DE SETÚBAL A SESIMBRA

Transporte a 25 de Setembro de 2015 de um veleiro First Class 8 (Beneteau) de Setúbal para o porto de abrigo de Sesimbra - para participação numa regata do clube Naval de Sesimbra - com o meu amigo Cláudio Martins.

VELEIROS EXPERIÊNCIAS

Imagens captadas em Sesimbra (o meu veleiro Mykonos) e no rio Tejo (outros veleiros) entre 2001 e 2011. Mykonos : modelo DC740 de Delmar Conde - tripulação : Rui Coias, Luís Esteves e Celso Moreira.

RUI COIAS

Muitas aventuras eu tive com o meu grande amigo Rui Coias, que era um grande marinheiro, de grande valentia e desembaraço, na realidade era meu braço direito e com ele a meu lado sentia-me confiante. Conto um episódio paradigmático quando andavamos a aprender a velejar : estavamos no seu pequeno veleiro ('xichas') perto do Seixal e ficamos sem vento. Tinhamos um navio catamarã que fazia a ligação fluvial entre Lisboa e o Seixal a muitos poucos metros e em rota de colisão e como muito bem sabiamos ele não podia se afastar porque navegava num estreito canal e parar, era completamente impossivel pela sua grande energia cinética .

O Rui à pressa e nós já completamente 'borrados', tentou ligar o seu pequeno motor auxiliar, mas o cabo de ignição ao fim de algumas tentativas falhadas ... partiu-se ! O navio estava praticamente em cima de nós porque eu tinha insensatamente e até à ultima hora tentado sair à vela da sua rota.

O Rui fez então o impossivel, e muitos irão duvidar deste feito : em poucos segundos tirou a tampa e enrolou o cabo partido na peça cilindrica e deu um esticão . Não é que incrivelmente o motor pegou à primeira ?! saimos numa autentica tangente à proa do barco. Foi um grande grande susto.

Veleiro de Rui Coias

Outro episódio em que ele foi protagonista (felizmente), foi quando decidimos levar o Mykonos do Seixal para Sesimbra e o Celso e Esteves não confiavam em mim para essa travessia (com alguma razão porque tinha muito pouca experiência). Só o Coias me apoiava e nas vésperas houve uma calorosa discussão porque eles queriam que fosse o Artur, um amigo do Esteves que tinha um veleiro e muita experiência, o skipper. Após uma calorosa e interminável discussão, acabamos por decidir que seria eu que levaria e iamos só nós os quatro. Tinha comprado um GPS da marca magellan, carissimo , porque na altura era uma novidade tecnológica, e se por alguma razão surgisse nevoeiro estariamos precavidos apesar de não navegarmos muito longe da costa. Tinha carta de 'Patrão de Costa', já tinha tirado a de Marinheiro, mas o Mykonos tinha mais de 7 metros...

Rui Coias na lagoa de Albufeira

No outro dia lá partimos bem cedo, o pessoal muito amuado pelo conflito da véspera e como havia pouco vento, fomos a motor do Seixal até ao Bugio. Á saída da barra comunicamos por VHF : foi o nosso Rui Coias porque o Esteves que tinha essa incumbência pelos vistos não sabia fazer a comunicação com o controlo de tráfego marítimo do porto de Lisboa. Informamos que iamos para Sesimbra e desejaram-nos boa viagem e terminando a comunicação com 'lá fora está um mar chão'. Paramos o motor e finalmente içamos as velas.

Irónicamente e ao fim de pouco tempo surgiram grandes vagas de Oeste que eram autênticos arranhas-céus. Mas percebi ao fim de algum tempo que o veleiro subia-as e que elas nunca quebravam, avançando em direção à costa , mas era uma visão impressionante. Fiquei tranquilo por essa suspeita mas ao fim de muito pouco tempo estava toda a gente enjoada, e provávelmente muito preocupada pensando que eu não estava preparado para a situação.

Fiquei sózinho no leme, eles estavam na cabine e alguns vinham cá fora vomitar. O vento foi aumentando e de repente percebi que tinha que rizar imediatamente a vela grande mas eu estava ao leme e eles KO na cabine. Gritei que precisava de ajuda e ... ao fim de algum tempo foi o Rui Coias que veio cá acima e lá conseguimos rizar (diminuir a área vélica) da vela grande. Uffffa, desta já nos escapámos.

Luís Esteves no Mykonos

Continuei sozinho até ao cabo Espichel, sem conseguir fumar, porque tinha uma mão na cana do leme e outra na escota da vela grande. Só quando o contornei, apanhando agora vento de popa é que o pessoal finalmente saiu da cabine. Ao fim de algum tempo, percebi que o barco estava a ficar ingovernável, era um vento de popa forte que a minha inexperiência o tinha subestimado. Mais uma vez tinhamos que rizar a vela e foi novamente o Rui Coias que me ajudou nessa operação. Viemos até o porto de abrigo de Sesimbra só com a vela de estai e num bom ritmo.

E para terminar vou contar o acidente no Natal em que mais uma vez o Coias esteve em evidência : mas desta vez, por outros motivos... Chegamos os quatro à marina de Sesimbra - nesta altura tinha aqui o veleiro e só mais tarde ficou numa 'poita' do lado de fora - e fomos logo avisados que não deveriamos sair porque estava temporal. Informamos que sairiamos mas não havia problema porque era uma pequena saída e ficariamos em frente a Sesimbra. Eu estava muito ressacado e nem me apetecia mexer no barco mas não quiz fazer-lhes a desfeita... A ultima vez que tinhamos estado no Mykonos o Rui Coias arranjou o motor auxiliar, porque ele não 'pegava'. Aqui começa a sequência de erros devido à minha inexperiência : eu aprendi a velejar literalmente através de livros que depois punha em pratica no pequeno veleiro do Rui Coias. O primeiro foi que a retranca estava 'caida', portanto não tinhamos a vela grande preparada porque iamos só a motor para fundearmos em frente a Sesimbra.

Celso Moreira no Mykonos

Ao sair do Porto de Abrigo, quando vem a primeira vaga, mesmo junto ao farol, o motor foi-se abaixo. Aqui foi o segundo erro : apesar de não termos a vela grande preparada podiamos ter usado a genoa/estai para ficarmos a navegar, mas eu pensava nesta altura que esta vela só funcionava em parceria com a vela grande.Então optei por lançar um ferro porque já começavamos a estar perto do molhe. Este não unhou e decidi lançar o outro ferro que tinha comprado à pouco tempo em segunda mão e este não prendeu também o barco : verificamos mais tarde que uma argola abriu. Foi o terceiro erro, por não ter feito uma vistoria a este material, ainda para mais usado.

Neste momento estavamos do lado de fora do molhe e com um mar terrível a empurrar-nos contra ele. Quando estavamos já quase a bater naqueles 'pés de galo' com que era constituido o molhe de Sesimbra, decidi usar a vela grande. Apercebi-me estupefacto e aterrorizado que as mãos mal me obedeciam porque tremiam como 'varas verdes' como nunca tinha me acontecido na minha vida, nem na experiência dos Comandos.

Mykonos, um veleiro em Sesimbra

Mas esta tentativa foi infrutifera porque já com a vela em cima o barco não obedecia . Soubemos mais tarde que o leme já tinha batido no molhe, e estava quebrado. Entretanto e finalmente o tal episódio com o Rui Coias : este salta para o molhe e com as mãos tenta evitar que o veleiro não bata nele ... só tive tempo para gritar para vir para dentro porque se uma vaga 'agarra-se' o veleiro ele morreria esmagado. Foi este acto, apesar de totalmente ousado mas também insano, mas de grande dedicação e amor, que nunca esquecerei, amigo Coias.

No meio de todo este azar, deu-se um verdadeiro milagre : passa um barco da escola de mergulho e lança-nos um cabo. Foi providencial, porque era uma questão de segundos para uma vaga 'agarrar' o Mykonos e desfaze-lo contra aquele cimento. Quando chegamos ao porto de abrigo, e saltamos para o cais as minhas pernas tremiam e o Rui Coias despareceu durante muito tempo. O barco foi mais tarde a reparar para Gafanha da Encarnação nos estaleiros do Delmar Conde, onde este veleiro foi construido.

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