MOTAS

🏍️ SEGURO MULTI-MOTA

TER 2 MOTAS E PAGAR 2 SEGUROS

Ter mais do que uma mota é um prazer para muitos motociclistas, mas rapidamente surge uma frustração: cada mota precisa do seu próprio seguro, mesmo que o condutor seja sempre o mesmo e só possa conduzir uma de cada vez.

Em Portugal e na maioria dos países, o seguro obrigatório é feito por veículo. Para as seguradoras, cada mota representa um risco independente: pode ser usada por outra pessoa, pode causar danos mesmo parada, pode ser roubada ou cair e danificar outro veículo. Por isso, cada uma precisa da sua própria apólice.

Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos… todos seguem o mesmo modelo. Ou seja, não é uma particularidade portuguesa: é uma prática global.

EXISTE LÓGICA ?

Para o motociclista, não faz sentido nenhum. O risco real é o condutor: o seu comportamento, histórico e experiência. E como só se pode conduzir uma mota de cada vez, pagar duas apólices parece ilógico. Mesmo assim, o sistema atual obriga a isso.

Seguro Multi-mota

A ideia de um Seguro MultiMota — uma única apólice que cobre todas as motas do mesmo condutor — seria lógica e justa. Tecnicamente é fácil de implementar, mas não interessa às seguradoras. Se existisse, venderiam menos apólices e perderiam margem de lucro. Por isso, o modelo atual mantém-se.

Bastaria uma apólice com titular único, cláusula de uso exclusivo, cobertura apenas quando o veículo está em circulação e uma lista de veículos associados, podendo até limitar a condução exclusivamente ao próprio proprietário. Este tipo de seguro já existe noutros setores, como barcos ou máquinas agrícolas. Não é ficção: é falta de vontade das seguradoras e, por acréscimo, do poder político.

CONCLUSÃO

O sistema atual beneficia as seguradoras, não os motociclistas. Um seguro por pessoa seria mais justo e mais alinhado com o risco real. Até lá, quem tem duas motas continua a pagar dois seguros, mesmo só podendo conduzir uma de cada vez.

Eu comecei no mundo motociclista há muito pouco tempo e estou a ficar surpreendido por algumas situações, como por exemplo ter de tirar carta de mota só por mudar para uma mota rigorosamente igual (a mesma ciclística!), que pesa apenas mais 4 quilos, mas tem mais potência: a passagem da Yamaha XMAX 125 para a versão de 300cc.

Yamaha XMAX 300

Há ainda um fator social que ajuda a perpetuar este tipo de manigâncias: a passividade dos próprios proprietários. Faz lembrar o caso dos donos de jipes — e aqui incluo-me, porque tenho desde 2000 um Nissan Terrano II que, em certos trajetos, paga mais de portagens do que de combustível — que continuam a pagar classe 2 nas portagens, mesmo quando não existe qualquer justificação plausível. Há carros muito mais pesados que pagam classe 1. Na vizinha Espanha, por exemplo, isso não acontece. Mas em Portugal, parece que possuir um jipe ou ter mais do que uma mota é visto como sinal de prestígio, e por isso muitos acham que não faz sentido “chorar”. Esta resignação coletiva — esta passividade perante regras que não fazem sentido nenhum — cria uma espécie de tolerância social ao abuso, como se fosse “normal” pagar mais só porque se tem mais.

Artigos relacionados