🖥️ PERFIS FALSOS | BURLAS NO FACEBOOK
Perfis falsos induzem as pessoas a confiar neles e, a partir dessa sensação de segurança, os burlões conseguem enganar facilmente as vítimas. No espaço de poucas semanas, "salvei" duas pessoas de burlas através desta técnica.
No primeiro caso, uma suposta empresa de importação de automóveis da Alemanha apresentava propostas altamente aliciantes e induzia as pessoas a acreditar na sua idoneidade devido aos seus 140.000 seguidores. O facto de ter tantos seguidores já era, por si só, prova de que algo estava errado. Ao perdermos uns segundos na análise da página, verificávamos imediatamente que a interação nos posts era mínima ou quase residual — algo incompatível com aquele número de seguidores. E, como se não bastasse, não apresentava morada nem contactos.
O segundo caso envolvia um homem que aliciava mulheres sentimentalmente, a clássica burla romântica, através de um perfil falso. Dizia estar em Angola e ser abastado por trabalhar na extração de petróleo, chegando ao pormenor de apresentar informação que aparentava ser da mesma terra que a vítima. Após algumas conversas, o burlão pediu dinheiro — alguns milhares de euros — para desbloquear uma suposta situação financeira. A história era absurda e mirabolante, mas a minha amiga é muito ingénua. Ao analisar o perfil, percebi imediatamente que ele tinha uma infinidade de amigos que, estranhamente, não interagiam com os seus posts. Além disso, publicava fotos para mostrar que estava no setor petrolífero, mas em nenhuma delas o próprio aparecia. Juntando todos estes indícios, era óbvio que a minha amiga — que se preparava para lhe transferir dinheiro, chegando a contrair um empréstimo bancário para o efeito — iria ser burlada.
Estas pessoas, as vítimas, têm uma coisa em comum: alguma idade e, por isso, um profundo desconhecimento deste mundo virtual, no qual começaram a caminhar há pouco tempo.
A passividade do Facebook
A passividade do Facebook permite que estes esquemas proliferem sem resistência. Trata-se de uma conivência total por omissão, onde a plataforma prioriza o volume de utilizadores e interações em detrimento da segurança dos mais expostos.
Bastaria um algoritmo relativamente simples para impedir que estas burlas floresçam e prejudiquem pessoas vulneráveis. Por exemplo, perfis que apresentam uma enorme discrepância entre o número de seguidores e a interação real (como "likes" e comentários), ou contas que utilizam imagens de banco de dados associadas a pedidos de transferências bancárias, deveriam ser sinalizados automaticamente. Ao ignorar estes padrões óbvios — que qualquer utilizador atento deteta em segundos — a rede social acaba por ser o terreno fértil onde o crime se profissionaliza, lucrando indiretamente com a publicidade e o tráfego gerado por estas redes de burlões.