DESPORTO

⛵ COMPETIÇÕES NÁUTICAS

As competições de vela são muito mais do que simples corridas no mar : são desafios de estratégia, técnica e uma grande coragem. Aqui vais encontrar informações sobre os principais eventos, histórias inspiradoras e curiosidades sobre este desporto apaixonante. Prepara-te para içar as velas e embarcar connosco nesta jornada!

*** SUMÁRIO ***

🏖️COSTEIRAS

TAÇA AMÉRICA
SAILGP

🗺️ OCEÂNICAS

ROTA DO RUM
ROTA DO CAFÉ

🌐 CIRCUM-NAVEGAÇÃO

🧍VENDÉE GLOBE
🧍GOLDEN GLOBE RACE
THE OCEAN RACE⛵ 🛒
TROFÉU JULIO VERNE

Legenda : 🧍 = solitário ; ⛵ = multicascos ;🛒= etapas


TAÇA AMÉRICA

Esta é a mais antiga competição desportiva internacional ainda em atividade (desde 1851), antecedendo até os Jogos Olímpicos modernos. Consiste numa disputa entre equipas nacionais com barcos de alta tecnologia, sendo frequentemente considerada a Fórmula 1 da vela, tal como a SailGP. O formato principal é um duelo entre apenas dois competidores: o defensor do título e o desafiante oficial.

O defensor do título é o clube náutico que venceu a edição anterior e que, por isso, tem o direito de escolher o local da regata e definir as regras técnicas (dentro dos limites do protocolo da competição). O desafiante oficial é o clube que vence uma série de regatas eliminatórias chamada 'Challenger Selection Series'.

A primeira edição ocorreu ao redor da Ilha de Wight, na Inglaterra, durante a Exposição Universal de Londres. O troféu foi conquistado pela escuna americana 'America', que acabaria por dar nome à competição. Não existe um calendário fixo: as edições realizam-se a cada 3 ou 4 anos, conforme acordo entre os clubes envolvidos.

Regata Taça América

Durante mais de um século, a Taça América foi disputada com veleiros monocasco, embarcações tradicionais com um único casco. Mas tudo mudou em 2010, quando a competição adotou multicascos — catamarãs e trimarãs —, trazendo maior velocidade, inovação e espetáculo. Para reduzir custos, as equipas votaram, em 2015, a favor da utilização de embarcações menores: de 19 metros para entre 13 e 15 metros, tornando a competição mais acessível e sustentável.

VENDÉE GLOBE

É uma regata de volta ao mundo, realizada em solitário, sem escalas e sem assistência externa. Acontece a cada quatro anos, com largada e chegada em Les Sables-d’Olonne, na região de Vendée, em França. É considerada uma das provas mais extremas da vela oceânica, exigindo resistência física, mental e domínio técnico absoluto. Muitos participantes abandonam devido a avarias, exaustão ou acidentes. Em algumas edições, mais de metade dos inscritos não consegue terminar a prova.

Regata Vendée Globe

Criada por Philippe Jeantot em 1989 e inspirada na Golden Globe Challenge de 1968 — a primeira volta ao mundo em solitário e sem escalas —, a regata teve a sua edição inaugural em novembro de 1989, com 13 velejadores à partida. O vencedor foi Titouan Lamazou, após 109 dias no mar. O formato consiste numa circum-navegação pelo hemisfério sul, passando pelos três grandes cabos (Boa Esperança, Leeuwin e Horn), enfrentando alguns dos mares mais perigosos do planeta.

Os barcos utilizados pertencem à classe IMOCA 60, monocascos de alta performance com 19 metros de comprimento. Desde 2016, muitos modelos utilizam 'foils': lâminas laterais que elevam parcialmente o casco, reduzem o atrito e permitem 'voa' sobre a água, atingindo velocidades superiores a 55 km/h. Estas embarcações estão equipadas com painéis solares, hidrogeradores e sistemas de navegação avançados . São concebidos para atravessar oceanos com grande velocidade e segurança e tripulados por 1 ou 2 pessoas.

GOLDEN GLOBE RACE

Foi a primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência. Organizada pelo jornal britânico Sunday Times em 1968, a regata foi criada para celebrar o espírito aventureiro da época e capitalizar o sucesso de Francis Chichester, que havia dado a volta ao mundo com uma única escala. O desafio era radical: circum-navegar o planeta sozinho, sem paradas e sem qualquer tipo de assistência externa. algo nunca antes realizado.

Foi a primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência. Organizada pelo jornal britânico Sunday Times em 1968, a prova foi criada para celebrar o espírito aventureiro da época e capitalizar o sucesso de Francis Chichester, que havia dado a volta ao mundo com apenas uma escala. O desafio era radical: circum-navegar o planeta sozinho, sem paragens e sem qualquer tipo de assistência externa, algo nunca antes realizado.

Em 2018, foi relançada uma nova edição da Golden Globe Race, com regras retrô: sem GPS, sem piloto automático e com barcos clássicos, numa homenagem à edição original. A Golden Globe Race permaneceu suspensa por quase 50 anos por ser uma prova extremamente arriscada e sem uma estrutura organizacional estável para permitir novas edições. A edição de 2018 contou com 18 participantes, e apenas 5 concluíram a prova, demonstrando que o desafio continua extremo. O vencedor foi o francês Jean-Luc Van Den Heede, então com 73 anos, dando a volta ao mundo em 212 dias.

Regata Golden Globe Race

Robin Knox-Johnston

A primeira edição foi vencida por Robin Knox-Johnston, o único participante a completar a prova, tornando-se o primeiro homem a dar a volta ao mundo sozinho e sem escalas. Concluiu a circum-navegação em 312 dias, a bordo de um barco de madeira com menos de 10 metros. Foi condecorado com o título de cavaleiro pela Rainha Elizabeth II — por isso é chamado de Sir — e recebeu o prémio de 5.000 libras, que entregou generosamente à viúva de outro concorrente, o famigerado Donald Crowhurst.

Donald Crowhurst

Donald Crowhurst, além de ter pouca experiência, possuía um trimarã construído às pressas. Já em plena regata, percebeu que, com todas as avarias, seria impossível enfrentar os terríveis mares da Antártida. Se regressasse, ficaria arruinado devido à hipoteca da casa feita para a compra do barco; se continuasse, correria sério risco de morte. Desesperadamente, tentou enganar os organizadores, simulando uma travessia fictícia ao enviar coordenadas falsas e permanecendo sempre no Oceano Atlântico.

Devido às várias desistências, viu-se repentinamente na posição de completar a circum-navegação mais rapidamente do que os outros; ele esperava chegar discretamente, evitando a atenção da imprensa. Sob o peso psicológico da fraude, acabou por desaparecer no Atlântico, provavelmente por suicídio. A sua história inspirou livros, filmes e peças de teatro.

Bernard Moitessier

Bernard Moitessier, outro concorrente, estava em posição de vencer, mas abandonou voluntariamente a regata para continuar navegando em direção ao Pacífico, afirmando que queria “salvar a sua alma” do mundo moderno. Este marinheiro afastou-se do mundo civilizado e até da sua própria família, da qual tinha mulher e filhos. Tornou-se uma das maiores lendas da vela. A sua vasta experiência no mar serviu de base para o seu livro autobiográfico Vagabundo dos Mares do Sul, que se tornou de imediato um best-seller. Curiosamente, até hoje não existe edição em lingua Portuguesa.

THE OCEAN RACE

Esta prova é uma das mais prestigiadas regatas oceânicas do mundo. Trata-se de uma volta ao mundo por etapas, com duração de cerca de nove meses, exigindo resistência extrema das tripulações, que representam algumas das maiores potências da vela oceânica. Foi inicialmente conhecida como 'Whitbread Round the World Race' (iniciada em 1973) e, mais tarde, passou a chamar-se 'Volvo Ocean Race'.

Regata The Ocean Race

Os barcos participantes são da classe IMOCA 60, os mesmos usados na 'Vendée Globe', mas com 4 a 5 pessoas a bordo. Multicascos, como trimarãs e catamarãs, não participam nesta competição.

TROFÉU JULIO VERNE

Esta regata é um desafio em equipa que premia a volta ao mundo mais rápida, sem escalas nem assistência externa, inspirado no romance 'A Volta ao Mundo em 80 Dias', de Júlio Verne. Fundada em 1992, o objetivo inicial era completar a circum-navegação à vela em menos de 80 dias, tal como no livro.

Regata Júlio Verne

A rota segue a circum-navegação clássica: partida entre Ushant (França) e Lizard Point (Reino Unido), passando pelos três grandes cabos — Boa Esperança, Leeuwin e Horn — e regressando ao ponto de partida. Qualquer tipo de casco é permitido, mas os recordes são dominados por trimarãs gigantes da classe ULTIM (os barcos mais rápidos da vela oceânica moderna), que combinam velocidade extrema com resistência oceânica. A regata não tem datas fixas: os participantes escolhem o momento ideal com base nas condições meteorológicas globais, especialmente os ventos nos oceanos do sul.

O recorde atual pertence a Francis Joyon , que também detém o recorde da Rota do Rum, com um tempo de 40 dias e 23 horas, estabelecido em 2017. O primeiro vencedor foi o famoso Bruno Peyron, em 1993, completando a prova em 79 dias, apenas um dia abaixo do limite simbólico. Outros nomes célebres incluem Peter Blake, que foi assassinado no Brasil, Loïck Peyron e Olivier de Kersauson, todos com múltiplas participações e conquistas.

ROTA DO RUM

Trata-se de uma travessia transatlântica em solitário, de Saint-Malo (França) a Pointe-à-Pitre (Guadalupe). Realiza-se de quatro em quatro anos, reunindo velejadores profissionais e amadores. É conhecida como a 'Rainha das regatas transatlânticas' devido à sua diversidade e prestígio.

Regata Rota do Rum

Foi criada em 1978 como resposta às limitações impostas pelas regatas inglesas, que restringiam o tamanho dos barcos. Esta competição aceita uma ampla variedade de embarcações, divididas em seis categorias principais, incluindo monocascos e multicascos gigantes, ultra-rápidos e tecnologicamente avançados.

Em 2018, Francis Joyon bateu o recorde da travessia, completando-a em 7 dias e 14 horas. A edição de 2022 contou com 138 barcos inscritos e atraiu cerca de 2 milhões de visitantes ao vilarejo de partida em Saint-Malo.

SailGP

Trata-se de um circuito moderno e televisivo de regatas com catamarãs F50 que 'voam' sobre a água a 100 km/h. O catamarã F50 foi projetado especificamente este circuito , com um comprimento de 15 metros (50 pés) e tripulado por 5 pessoas. É uma prova por países, na qual, infelizmente, Portugal não participa. Esta prova foi fundada por Larry Ellison, o homem da Oracle , que anteriormente participava na Taça América como dono e mentor do 'Oracle Team USA', a equipa que representou o 'Golden Gate Yacht Club' que venceu a competição em 2010 e 2013.

Regata SailGP

Esta competição de vela é provavelmente o formato contemporâneo mais mediático, sendo considerada a 'Fórmula 1' dos mares, tal como a Taça América.

ROTA DO CAFÉ

A prova, cujo nome original é 'Transat Jacques-Vabre', é uma das mais importantes regatas transatlânticas modernas. É bienal e parte de Le Havre (França), chegando normalmente a Fort-de-France (Martinica). Durante muitos anos, o destino foi o Brasil (até 2019). O nome da prova deriva da ligação comercial entre França e os portos de café no Brasil.

Regata Transat Jacques-Vabre

A competição aceita quatro classes diferentes de veleiros — monocascos e multicascos — todos com tripulação de apenas dois homens. A classe mais rápida e espetacular é a dos gigantes trimarãs de 100 pés, classe ULTIM 32/23, que significa barcos com dimensões entre 23 e 32 metros. Estes barcos são capazes de cruzar o Atlântico em apenas seis dias, sendo considerados verdadeiros 'F1 dos mares'.

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