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📖 O CANTO ESTREITO | SOMERSET MAUGHAM

nº de estrelas dá a pontuação do livro

Num remoto porto do Pacífico, um jovem fugitivo Fred Blake cruza-se com o enigmático Dr. Saunders (um cínico fumador de ópio) e com o aventureiro, de mau carácter, Capitão Nichols, a bordo de um lugre semelhante aos nossos bacalhoeiros. O encontro leva-os a uma pequena ilha paradisíaca, onde subsistem vestígios dos intrépidos Portugueses: um forte e uma igreja da 'era das especiarias'. Foram expulsos pelos holandeses, que passaram a vida a tentar desalojar-nos de todo o lado e, neste caso, com sucesso.

O mundo lusitano da época das descobertas está presente nesta história de Maugham, que viajou por estas paragens. Uma das personagens dedica a sua vida à tradução métrica de Os Lusíadas, considerando-o o último dos grandes épicos.

O escritor, cujos romances devorei na adolescência por sugestão do meu querido pai, revelou-me a razão pela qual eu tanto o admirava: Maugham é, de facto, um grande “psicólogo” e um extraordinário narrador de histórias, capaz de proporcionar um imenso prazer na leitura.

O Canto Estreito

O sentido da vida, para Somerset Maugham, foi-se transformando ao longo da sua vida/obra. Em Servidão Humana, traduzia-se na procura de paz e equilíbrio através de “alguém”. Já em O Fio da Navalha, muitos anos mais tarde, a resposta surge na transcendência espiritual. Curiosamente, nesta narrativa — sobretudo através da personagem do médico — o budismo e o hinduísmo já não o atraem, tal como aconteceu comigo. Talvez também se tenha tornado um homem agnóstico.

HOMOSSEXUALIDADE

Descobri, há alguns anos, que o escritor era homossexual. Isso deixou-me inicialmente frustrado, não por qualquer preconceito — bem pelo contrário — mas pela surpresa de como conseguiu escrever um romance como 'Servidão Humana'...

Ao longo desta obra, senti a presença da sua inclinação sexual, que permaneceu oculta durante a sua vida: as personagens femininas surgem muitas vezes como antagonistas, enquanto há um constante elogio e atração à beleza masculina.

FRASES DO LIVRO

“Os críticos dividem os escritores em duas categorias: aqueles que têm qualquer coisa para dizer e não sabem como dizê-la, e aqueles que sabem como dizê-la, mas nada têm para dizer.”

... tinha-os recebido com gentileza e tratara-os , não com a gentileza trapalhona que uma pessoa sem educação pensa ser necessário usar em relaçao a hospedes estranhos, mas antes com naturalidade , como se conhecesse as regras de conduta em sociedade.

... e o rico mundo que eles tinham descoberto e conquistado , essas inúmeras ilhas que um punhado de homens ousados tinha submetido ao poder de Portugal.

Tenho conhecido uma quantidade de tipos assim, grandes. Sentimentais é o que eles são. Nunca são capazes de bater num homem mais fraco que eles. As mentes deles não trabalham com rapidez, um pouco estupidos, duma maneira geral.

Perguntou a si mesmo porque razão, de entre todas as criaturas, o homem era a única que ficava tão horrorosamente desfigurada com a idade.

Afirmo-lhe que ele não me amava. Amava o seu ideal. Que direito têm as pessoas de formarem uma imagem que esteja de acordo com os desejos do seu coração e aplicá-la à força sobre outrem, zangando-se se as duas imagens não coincidem ?

ERA UM PRAZER REQUINTADO PARA ELE SABER QUE NÃO HAVIA NINGUÉM NO MUNDO QUE FOSSE ESSENCIAL PARA A SUA PAZ DE ESPIRITO