LIVROS LIDOS

📖 LIVRO DE AMIGOS | HENRY MILLER

nº de estrelas dá a pontuação do livro

Já tinha lido em adolescente um dos trópicos de Henry Miller e lembro-me de achar piada principalmente pela originalidade de suas narrativas ao incluirem cenas quase pornográficas, numa linguagem totalmente depravada e que lhe originou a censura nos EUA durante muitos anos .

Depois de ter lido este pequeno livro dele, fiquei com a impressão que o valor deste escritor está de facto nessa falta de pudor - na época muito ousado e original - e em envolver o deboche com alguma 'intectualidade'. Também fiquei com a ideia que o seu carácter deixava muito a desejar, até confesso pelo próprio :

"Era a mesma coisa na rua; todos me consideravam seu amigo, o seu amigo especial, enquanto eu era absolutamente indiferente ao destino dos meus amigos."

"Isso torna-me estimado por muitas pessoas. Pensam que estou sinceramente interessado no que estão a dizer. Muitas vezes não estou, mas de qualquer modo escuto atentamente."

Mas em abono da verdade, Henry Miller tem uma narratica fácil, que se lê sem enfado e aparecem sempre criticas, analises, pensamentos, muito curiosos e interessantes que vou apresentar aqui alguns excertos retirados deste pequeno livro. Curiosamente este acérrimo anti-católico era irónicamente muito preconceituoso : repúdiou o marginal Charles Bukowski e depois desta leitura percebi porquê : parece que afinal era um banana de um asbtêmio.

Henry Miller

FRASES

"Quem quer que viva só ou é um Deus ou um animal selvagem"

"E contudo considero-me um solitário. Não me importo de estar só. Como eu disse algures «Na pior das hipóteses estou com Deus"

"Com tais homens pouco importa que língua escolhem para escrever : são compreendidos em toda a parte por toda a gente". Elogio a Jack London e Máximo Gorki

"Não sei o que é preciso para sobreviver nesta terra maldita. Tem que se ter a moral de um furão, a agressividade de um carlim, a crueldade de um assassino, e a desumanidade de um grande magnata - e ainda um barril de sorte!"

"Ao passo que tenho observado frequentemente que bons escritores podem não ter a mínima habilidade para contar uma boa história.

"Devo confessar que nunca conheci nenhum oficial por quem tivesse o mínimo respeito; conheci apenas dois professores universitários por quem tinha algum respeito; nunca conheci nenhum grande homem de negócios por quem tivesse o mínimo respeito. Conheci de vez em quando um padre ou um monge com quem podia manter uma conversa inteligente, rir com vontade e discutir assuntos espirituais com prazer."

"... quase todo o material dos meus livros - pessoas, lugares, acontecimentos aconteceu antes de eu começar a escrever. Do que gosto agora é de passear no meio duma multidão"