📖 O ADEUS ÀS ARMAS | ERNEST HEMINGWAY
Li mais um livro de Hemingway, e penso que neste momento já li 6 dos 9 romances dele. Tinha lido à pouco tempo 'Por quem os sinos dobram ' - escrito após a sua experiência na guerra civil Espanhola - e durante a pandemia li o 'Jardim do Éden'.
Este romance não foge ao habitual : as suas histórias são quase sempre baseadas na sua experiência de vida, e neste caso na Primeira Guerra Mundial. Foi um homem com grandes preocupações sociais e um convicto socialista, como qualquer grande homem naqueles tempos. O jovem escritor, com 19 anos (!), quis ir combater os austriacos e alemães, mas devido a um problema de visão, deram-lhe um cargo na Cruz Vermelha, na condução de ambulâncias na frente italiana, o que muito o frustrou, porque o destemido Hemingway queria era acção.
Como sabia que o romance teria uma componente biográfica, quis identificar o que era ficção e o que era realidade. Nessa busca, descobri o filme Em Amor e em Guerra, realizado pelo conceituado realizador Richard Attenborough, baseado em uma obra que descreve esta fase de Ernest Hemingway. O livro foi escrito por um amigo da época do escritor, Henry S. Villard, que esteve hospitalizado com ele e mais tarde continuou a corresponder-se com ele. Ao que parece, Villard também teve acesso a cartas entre Hemingway e a enfermeira por quem ele se apaixonou perdidamente.
Portanto baseado neste filme, confirma-se a grande paixão por uma enfermeira Americana, bem mais velha (8 anos), que o tratava por 'garoto'. Ela era voluntária tal como ele e, ao que parece, salvou sua perna porque o cirurgião pretendia fazer o mais fácil : amputar o membro. Hemingway, na sua característica audácia, foi literalmente até à frente da batalha, em Pivea, e infiltrou-se numa trincheira onde estavam os famosos Arditi. Parece que não permaneceu muito tempo na companhia destes bravos homens porque uma bomba caiu sobre a trincheira. Ele transportou às costas um soldado gravemente ferido, o único que sobreviveu além dele, apesar de estar muito combalido. Durante esta façanha, acabou sendo novamente ferido, desta vez atingido gravemente numa perna, que ficou com muitos estilhaços. Acabou hospitalizado em Milão, num hospital para americanos, e foi lá que conheceu a tal enfermeira. Por este episódio heróico os italianos deram-lhe uma medalha de mérito militar.
Esta mulher, a Catherine Barkley no romance, prometeu casar com o escritor. Iria mais tarde reencontrar-se com Ernest Hemingway, mas não foi, enviando uma carta onde assumiu um romance com outro homem, supostamente o tal cirurgião. Hemingway provávelmente ficou traumatizado para o resto da vida, e é curioso o destino que ele dá a esta mulher no romance ...
O filme apresenta que eles chegaram a consumar a sua paixão e que ela mais tarde foi visitar Hemingway nos EUA para se declarar a ele : não chegou a casar com o tal médico porque amava o escritor. No entanto, parece que esses dois fatos não são verdadeiros, sendo apenas 'invenções' para criar um maior impacto no espectador.
Voltando ao livro, lê-se bem, mas não acho nada de especial. Na época, sim, percebe-se o sucesso que teve ...
ps o seu amor ao alcool, como seria previsivel, está constantemente presente .Descobri neste livro que os EUA tinham declarado a guerra à Alemanha, mas não à Austria.
FRASES NO LIVRO
"O mundo quebra toda a gente, e depois muitos ficam mais fortes no lugar da fractura. Mas àqueles que não consegue quebrar mata-os. Mata os muito bons, os muito doces, os muito corajosos, imparcialmente. Se não sois deses, também vos há-de matar, mas nesse caso não será particularmente apressado."
"O professor de boxe do ginásio tinha um grande bigode, era muito rigoroso e nervoso e ficava deso- rientado quando o atacavam a sério. Mas o ginásio era agradável. Era arejado e luminoso, e eu trabalhava bem, saltando a corda, boxando com um adversário imaginário, fazendo exercícios abdominais; ou então estendia-me no chão, numa mancha de sol que entrava pela janela aberta; e de vez em quando assustava o professor ao jogar com ele."