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📖 SER ESPIRITUAL | Luís Portela

nº de estrelas dá a pontuação do livro

Descobri esta personalidade através da série televisiva Para Além do Cérebro, concebida por ele. É alguém que transmite serenidade e sabedoria, tal como outro nortenho que admiro profundamente, o psiquiatra Julio Machado vaz — as duas únicas figuras que atualmente reverencio no panorama português.

Série televisiva : Para além do Cérebro

Pela via da espiritualidade, Luís Portela revela uma coragem invulgar e uma mente lúcida e aberta, algo raro e difícil de encontrar no meio científico.

Gostei muito de ler o livro, embora confesse que comecei com algum receio de que não trouxesse nada de novo — sobretudo para quem já viu os 16 episódios da série televisiva Para Além do Cérebro, um trabalho notável sobre espiritualidade e ciência no século XXI.

Felizmente enganei‑me. O livro acabou por me oferecer novas referências literárias, muitas ideias, pensamentos e factos históricos que desconhecia. Deu‑me também a conhecer a transcomunicação instrumental, que permite que uma pessoa que não é médium consiga contactar o “além” através de equipamentos simples, como um velho rádio AM.

Para mim, continua a ser um enigma o facto de Luís Portela nunca referenciar Alan Kardec, porque, na minha modesta opinião, na essência ele professa exatamente as mesmas ideias. A única explicação possível seria o desconhecimento da Doutrina Espírita — o que considero improvável — e, por isso, o mais plausível é a existência de algum preconceito. Tenho observado que muitos parapsicólogos atuais evitam recorrer à terminologia clássica, com receio da reação da ciência materialista. Um exemplo paradigmático é a palavra reencarnação, que muitos substituem por expressões como “vidas sucessivas”. Apesar da coragem destes investigadores acabam por fraquejar neste pequeno pormenor terminológico.

Espiritualidade vs Ciência

Não encontramos no seu pensamento a “filosofia” de Krishnamurti, apesar de Luís Portela o referir no livro. Na realidade, as duas abordagens são até antagónicas: para o indiano, o esforço na evolução espiritual é uma inutilidade.

Na essência, identifico‑me com quase todo o pensamento de Luís Portela, tendo apenas algumas reticências quanto à importância que atribui ao 'esforço' — como referi acima — e quanto à verdadeira capacidade do nosso livre‑arbítrio. Há ainda um pequeno pormenor: ele afirma que, numa aparição mariana, a criança necessita de ser médium vidente. Eu vivi essa experiência e não o sou.