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⛵ AFONSO DE ALBUQUERQUE

Afonso de Albuquerque foi outra personagem ímpar que ultrapassa grandemente os limites da nossa história: quantos homens houve que na posse de um número reduzidíssimo de homens relativamente ao do adversário conseguisse tantas conquistas ? Eu suponho que nenhum! Quantos conquistadores conseguiram granjear o respeito, admiração e afecto das populações conquistadas ? Eu suponho que poucos.

O MAIOR CONQUISTADOR PORTUGUÊS

Vasco da Gama com o Samorim de Calecute

Apesar do seu heroísmo, dedicação extrema ao rei e competência foi simplesmente destituído do cargo de governador da Índia sem a mínima justificação por D. Manuel I(o mesmo que "castrou" Fernão de Magalhães ) confortavelmente instalado em Portugal a gozar do prestigio e das riquezas proporcionadas pelo império conquistado por Albuquerque e provavelmente mais preocupado em intrigas palacianas.

Quando soube que tinha sido destituído, Afonso de Albuquerque já velho, desgostoso , doente e consumido pela sua esgotante e inglória missão (tudo o que titanicamente conseguiu foi sozinho contra tudo e todos ) deixou de lutar pela vida e quis ir morrer a Goa como derradeira consolação - uma das pérolas do Oriente a par com Ormuz e Malaca e a cidade da sua predilecção. Segundo rezam as crónicas quando chegou a Goa ao fim de uma jornada de semanas pelo alto mar em que todos esperavam há muito e a qualquer momento a sua morte ela só se consumou quando a sua nau entrou na enseada e fundeou. Todo o povo goês chorou efusivamente a sua morte: sabiam que não voltariam a encontrar um soberano tão justo (em Ormuz na altura existia um palácio com aproximadamente uma dúzia de reis cegos aprisionados - quando um rei tornava-se incómodo para a oligarquia da cidade simplesmente era destituído e como não bastasse cegavam-no e prendiam-no sendo colocado outro seu familiar no cargo).

MISCIGENAÇÃO

Afonso de Albuquerque foi um soberano que aceitou os costumes e religiões dos povos indígenas e encorajou o casamento de portugueses com as mulheres nativas sabendo inteligentemente que só dessa forma é que Portugal poderia manter o império por ele conquistado. Após a sua morte o império foi-se gradualmente desmoronando o que é óbvio - como é que um país tão pequeno conseguiu durante décadas dominar completamente a costa asiática que esteve durante séculos nas mãos do império otomano e ainda ter naus para se aventurarem pelas Américas e oceano pacífico? De facto, é simplesmente incrível, inaudito, só se pode explicar pela raça de homens extraordinários e efectivamente esta proeza tem indelevelmente a assinatura de Afonso de Albuquerque.

Viagem de Circum-Navegação de Fernão de Magalhães

SÍNTESE

São estas lições subtis (a morte premeditada de Albuquerque em Goa) que embelezam o estudo da história - a nau da expedição de Fernão de Magalhães que conseguiu sobreviver à epopeia - de cinco naus (*) e aproximadamente duzentos e cinquenta homens iniciais regressaram pouco mais de duas dezenas de moribundos - chamava-se Vitória. É belo, isto sim é pura poesia. É a poesia da própria vida. Assim como o belo atinge a sua plenitude na natureza - haverá pintura paisagística que se compare à beleza natural de uma paisagem, existirá sonoridade que tenha o encanto do chilrear dos pássaros? Assim não há igualmente poesia mais sublime que a própria poesia que por vezes a vida nos proporciona.

Mas a análise do percurso deste tipo de homens também nos traz benesses bem práticas para o nosso quotidiano: Aprendemos que o poder de um verdadeiro líder é tremendo quando este está obcecado por uma ideia. Aprendemos igualmente que o caminho a trilhar por este é muito provavelmente tortuoso. E para finalizar: nem sempre um homem isolado face a um coro generalizado de oposição está no caminho errado.

EMBARCAÇÕES NOS DESCOBRIMENTOS

(*) o termo nau é aqui aplicado no sentido mais amplo, pois na realidade, além das naus (carracas) havia também as caravelas. A caravela foi a embarcação com a qual os portugueses realizaram a maioria das descobertas, devido à grande capacidade de velejar contra o vento (bolinar) e ao seu baixo calado, que permitia entrar em enseadas pouco profundas. Eram embarcações pequenas, medindo entre 20 e 30 metros de comprimento, tal como as primeiras naus usadas nos descobrimentos. Mais tarde, surgiram naus de grande tonelagem para o transporte de mercadorias, especialmente na carreira da Índia, onde as viagens eram realizadas apenas em determinadas épocas do ano, para que as embarcações pudessem receber o vento pela popa. Finalmente, surgiram os enormes galeões, usados como navios de guerra e de transporte de mercadorias.

naus e caravelas

VELEIROS NAS EXPLORAÇÕES MARÍTIMAS

Nos anos seguintes, os veleiros evoluíram, e as explorações marítimas pelos europeus foram predominantemente efectuadas em fragatas (três mastros de velas redondas), brigues (dois mastros com velas quadradas) e barcas (três ou mais mastros com vela latina no mastro de popa).

fragatas, brigues e barcas

Este ensaio é original e encontra-se registado na IGAC

Registo IGAC de Jorge Garcia

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