SOCIEDADE

🎵 MINHA EXPERIÊNCIA MUSICAL

A euforia proporcionada por boa música numa discoteca

A RARA EXCELÊNCIA

Vi em Castelo Branco, em setembro de 2024, uma banda de tributo aos Beatles , o que me fez recordar que há poucos grupos capazes de apresentar, durante mais de uma hora, hits de inegável qualidade, fazendo vibrar um público heterogêneo pela noite fora. O habitual são bandas que vivem de dois ou três sucessos, enquanto o resto do repertório é trivial. Vejam o tão aclamado David Bowie, exaltado pelos nossos críticos melómanos : ele tem 27 álbuns de estúdio (!) e apenas três ou quatro músicas realmente boas. Há muitos anos tive acesso através de um amigo a grande parte da discogradia dele e fiquei estupefacto com a mediocridade. Um caso irrefutável de incapacidade musical. E o nosso David Fonseca ? um autêntico flop musical que os nossos radialistas tanto estimam.

Tenho constatado repetidamente que não existe a noção de que o sucesso de muitas bandas se deveu a factores externos à sua própria musica, como movimentos culturais associados. Por exemplo, os Sex Pistols, que mal sabiam tocar e foram impulsionados pelo movimento punk; ou os respeitados The Velvet Underground, do Lou Reed, catapultados para o estrelato pelo Andy Warhol apesar da sua mediocridade; e ainda aquelas bandas que chamávamos de 'vanguarda' dos anos 80, como Siouxsie and the Banshees, Joy Division, Bauhaus, Echo & the Bunnymen (que vi ao vivo), bandas de grande culto entre certa juventude e muito estimada pela critica na altura, mas de evidente fraca qualidade musical. Fica para história, mas não para se ouvir em bandas tributo décadas mais tarde 😀 Fico abismado quando essas bandas e músicas são apresentadas no mesmo nível que outras, numa total falta de sensibilidade musical.

AS MINHAS RAÍZES

Na minha adolescência, ouvi muito rock progressivo, como Yes, Genesis e King Crimson (vi no estádio do Farense em 1982), um estilo repleto de músicos muito evoluídos tecnicamente, e que mais tarde me permitiu facilmente apreciar o jazz, principalmente a música de fusão e a ser mais exigente musicalmente. Com os meus pais, aprendi a ouvir música ligeira - meu pai era fã de Frank Sinatra e Shirley Bassey, artistas que aprendi a respeitar - e, muito mais tarde, fado, nomeadamente Amália Rodrigues, que eles veneravam. Ainda hoje quando ouço músicas como 'Com Que Voz', 'Povo que Lavas no Rio' ou 'Lágrima' (a versão de Mariza é muito pobre) facilmente me emociono.

Hoje, ouço rigorosamente de tudo, sou muito eclético, como podem constatar das minhas playlists em MP3 que uso no telemóvel ou tablet para enviar para colunas por bluetooth. Desde muito jovem, ainda na época das cassetes, fazia as minhas playlists porque, na realidade, é raro encontrar um álbum que gostemos de ouvir de 'ponta a ponta'.

AS COLECTÂNEAS | PLAYLISTS

Minhas Play lists : mp3

Tenho até uma playlist para o Natal e outra para os 'barbecues' familiares, que me dava um especial prazer : muitos adultos ficavam chocados com a música pimba. Alguns só ouvem música clássica, lembrando os fanaticos religiosos que acham que só eles 'vão para o céu' 😀 . Mas rapidamente as crianças instintivamente começavam a dançar alegremente, e isso contagiava o ambiente, ultrapassando a relutância inicial, além de ser muito ajudado pelas letras brejeiras e, muitas vezes, pornográficas.

Mais tarde, gravava as minhas colectâneas em CD's, e hoje é no formato digital : no Youtube encontramos praticamente tudo, e basta converter o vídeo para MP3 ou outro formato musical com um software apropriado.

Minhas Play lists : cd's

GRANDES COMPOSITORES MUSICAIS

Curiosamente, quase nada do que ouvia na minha adolescência continuo a escutar (pelos vistos não 'cristalizei' 😀). No entanto, ainda tenho um grande respeito por bandas como ABBA (a maior no universo pop), Pink Floyd (a maior banda de rock de todos os tempos), Led Zeppelin, além de Leonard Cohen e o gênio Vangelis, pela quantidade de músicas de inegável qualidade que criaram. O grego foi menosprezado durante décadas por snobs elitistas que abominam tudo o que o povo possa gostar, óbviamente para se evidenciarem.

No panorama musical português, sem dúvida, os destaques são Zeca Afonso, seguido de Rui Veloso e Sérgio Godinho. E atenção : o muito gozado José Cid também é uma figura de destaque neste âmbito.

OS MEUS CONCERTOS

Os concertos que participei
  • UFO » 1980
  • Rainbow » 1982
  • Roxy Music & King Crimson » 1982
  • WhiteSnake » 1983
  • Nina Hagen » 1984
  • Echo & the Bunnymen » 1984
  • Carlos Santana » 1991
  • Miles Davis » 1991
  • Herbie Hancock, Wayne Shorter, Stanley Clarke e Omar Hakim » 1991
  • Van Morrison » 1993
  • Ravi Shankar » 1993
  • Pink Floyd » 1994
  • Jan Garbarek » 2004
  • Max Roach Quartet
  • Larry Coryell Quartet
  • Stanley Clarke, Al Di Meola e Jean-Luc Ponty
  • John Mayall's & the Bluesbreakers Band
  • Pat Metheny Group
  • Steve Hacket
  • The John Scofield
  • Roger Waters

"Fiz amizade com os King Crimson e vi-os a trabalhar antes de fazerem o primeiro álbum, quando as coisas estavam a ser desenvolvidas. E eles tinham a ideia de ligar peças de música, não necessariamente peças de música originais, mas a ideia de fazer algo que passava por várias canções diferentes que eram combinadas com pistas para atrair a atenção do público. Parecia funcionar como telepatia quando se estava a assistir."

"Olhando para trás, percebo que éramos uma equipa competitiva, mas também colaborativa. Naquela época, não percebíamos o que era um bom refrão, e isso complicava a criação de algo mais comercial. Era o charme dos primeiros tempos dos Genesis: estávamos mais perto da música clássica."

— Steve Hackett