PEGAS DE TOUROS
A BRAVURA DOS ANDRAJOSOS FORCADOS
... que julgamentos tão simplistas ... só criticas vindas de vegetarianos é que fazem sentido . Um boi de tourada (vulgo toiro) vive 4 a 5 em anos em total liberdade ... um boi/vaca que dão os nossos bifes (matam-nos às centenas diariamente só para fornecer Lisboa ) vivem poucos meses confinados a espaços de poucos metros. Deviam era preocupar-se com esses milhares de animais que tem uma vida completamente miserável.
... eu percebo-te e até aceito a tua opinião porque acho que és vegetariano
Mas quem o não é e diz-se amigo dos animais (se calhar passam por um cão/gato moribundo e não fazem nada ...) e estão preocupados com menos de 2.000 animais anuais, quando o consumo anual de carne bovina em Portugal é de mais de 200 toneladas anuais o que dá mais de 1 MILHÃO DE VACAS abatidas e que "viveram" em condições miseráveis é no minimo ...
* Texto proveniente da troca de mensagens num forum *
A BRAVURA DO FORCADO | PEGA
E só para terminar : eu quando era miúdo só gostava de ver as pegas porque era quando o touro se vingava dos Homens. Cresci e obviamente descobri que esta arte SÓ NOSSA (pega) é dos espetáculos mais fantásticos em termos de bravura e nobreza que se pode assistir ! Enfrentar de mãos vazias touros que às vezes têm quase 700 kilos é algo que nos deveria orgulhar . Ernest Hemingway dizia no seu célebre romance Fiesta que tinha ouvido falar que havia em Portugal uns homens que apanham os touros à mão mas que ele não acreditava … Foi este romance que deu a actual notoriedade de um dos maiores eventos do planeta : as Festas de São Firmino em Pamplona.
FORCADOS DA CHAMUSCA
A 20 de Maio de 2010 assisti no Campo Pequeno a uma pega memorável, apoteótica pelo negro Emanuel Injai dos forcados Amadores da Chamusca : este colocou o público em extâse, num autêntico delirio e deu à volta à arena imensas vezes (!) porque os aficionados não se cansavam de gritar, bater palmas, exigir a presença deste herói para louvar a sua garra, a sua tenacidade quando percorreu toda a arena nos cornos do Touro sem o largar apesar dos violentos derrotes. Feito extraordinário que nunca tinha visto e que provávelmente não voltarei a ter esse privilégio.
E se acabassem as touradas , os milhares de bois bravos (toiros) que existem em total liberdade iam obviamente para os matadouros juntar-se aos milhões que já existem nestes lugares tenebrosos e estes belos exemplares desapareciam por completo da natureza . Eles não são uma espécie à parte , são bois normais que foram selecionados ao longo dos tempos pela sua bravura .
Ainda somos uns bárbaros no relacionamento com os animais, vejam a infinidade de animais domésticos que vivem na maior das misérias, isolamento, maus tratos, etc. Devíamos começar por aí e pelas condições dos animais que nos alimentam (como já referi!) e só depois pensar em acabar com este espectáculo popular e tradicional que se chama tourada para poupar umas centenas de bois.
A INJUSTIÇA DA FESTA BRAVA | LIDE A CAVALO
No entanto tenho que referir que o encanto deste espectaculo reside principalmente na Pega, onde está a verdadeira valentia, porque na lide a cavalo a maioria dos cavaleiros arriscam muito pouco : a diferença da velocidade entre o cavalo e o touro é abismal e na realidade sem esse arrojo não vejo grande mestria.
Luis Rouxinol, talvez o 'melhor' de todos e que usa fácilmente os dificeis ferros de palmo, Joaquim Bastinhas com o célebre par de bandarilhas, Rui Fernandes provávelmente o mais 'suicida', Filipe Gonçalves através do seu espectacular cavalo Xique, ou o miúdo Francisco Palha que arrisca muito, são o exemplo de alguns cavaleiros que fazem a diferença e também beneficiam este espectáculo. É de referir que a lide a cavalo é originária de Portugal, mas já existem cavaleiros como o espanhol Pablo Hermoso de Mendoza verdadeiramente espectaculares.
ANDRAJOSOS FORCADOS
Injustamente são estes (os cavaleiros) os mais bem pagos neste espectaculo, o que inclusivé lhes propicia viver desta actividade, provávelmente beneficiando da tradição Tauromática, que lhes delega o protagonismo bem materializada na sua indumentária: o grupo de forcados parecem uns andrajos e os cavaleiros, na riqueja e brilho das suas vestes de seda bordadas a ouro e prata representam a ... nobreza. Pensando bem, ao escrever estar linhas, é um espectaculo apanágio de uma monarquia...
NOTAS DIVERSAS
É estranho que alguém que resgata animais na rua, goste de touradas, mas é mesmo assim.
Nunca percebi a abusiva linguagem hermética do comentador taurino, José Cáceres e muito menos a deferência do seu colega, Dr. Vasco Lucas, pelo toureio equestre clássico, menosprezando aqueles que realmente arriscam e dão verdadeiramente espectaculo.
Em 2019, na Moita e Coruche, vários forcados ficaram gravemente feridos o que leva-nos a questionar o aumento gradual do peso dos toiros que se tem verificado nos últimos anos (alguns com mais de 600 kilos!), inofensivo para os Cavaleiros, mas altamente letal para os valentes forcados. Quem presenciou fala que foram noites de autêntico horror.
Em Agosto de 2024 voltei a uma praça, em Idanha-a-Nova, e confirmou-se : os três jovens cavaleiros , Luis Rouxinol JR, Joaquim Brito Paes, António Ribeiro Telles filho, arriscaram muito pouco. Não se viu um 'violino', um par de bandarilhas, um ferro de palmo— nada que pudesse abrilhantar a festa. Apenas ferros 'compridos'... Valeu-nos a coragem dos forcados.
O futuro deste espetáculo pode passar pelos taurocatapsia, que está a ter uma popularidade crescente. Os concursos de recortadores lotam praças em Madrid, Zaragoza, Valladolid, Castellón e Pamplona. Em várias feiras taurinas, os recortadores vendem mais bilhetes do que as corridas tradicionais. A audiência jovem prefere recortadores: é adrenalina, técnica, risco, espetáculo puro e... sem ferir os animais.