🐾 Os Criadores Profissionais e o Episódio de Turim
🐶 A Canicultura em Portugal
O que é verdadeiramente injusto é isto: os criadores profissionais — muitos dos quais exploram animais, reproduzem sem critério e tratam cadelas como máquinas de produção — são os únicos legalmente autorizados a vender. E o próprio Clube Português de Canicultura informa que os cães de raça são muito menos saudáveis do que os cruzados ou rafeiros ? E mais: quem controla quantas vezes uma cadela engravida por ano? Quem fiscaliza quantas ninhadas ela tem ao longo da vida? Quem garante que não está a ser explorada até ao limite físico? Como é possível que um organismo promova um sistema onde a reprodução intensiva é normalizada?
A resposta, infelizmente, é simples: ninguém controla verdadeiramente. E é por isso que tantas cadelas passam a vida inteira fechadas, prenhas, desgastadas, usadas até não poder mais — tudo em nome de um “padrão de raça” que, ironicamente, produz animais cada vez mais frágeis, doentes e dependentes de cuidados veterinários constantes.
Enquanto isso, os cruzados e rafeiros — os cães que a natureza moldou sem interferência humana — continuam a ser os mais resistentes, equilibrados e saudáveis. Mas esses não interessam ao mercado. Não dão lucro. Não ganham exposições. Não alimentam o negócio.
O mais revoltante é que todo este sistema se mantém porque dá lucro a quem menos se importa com o bem‑estar animal. Criadores profissionais continuam a reproduzir cadelas até à exaustão, muitas vezes sem qualquer controlo real, enquanto organismos oficiais fecham os olhos e fingem que tudo está dentro da “normalidade”. A verdade é simples e brutal: o negócio das raças puras protege carteiras, não protege animais.
🐴 Episódio do Cavalo de Turim
O episódio do cavalo de Turim é um dos momentos mais marcantes — e trágicos — da vida de Nietzsche. Em 3 de janeiro de 1889, em Turim, o filósofo viu um cocheiro espancar violentamente um cavalo exausto. Incapaz de suportar a cena, Nietzsche correu, abraçou o pescoço do animal e começou a chorar convulsivamente, impedindo o homem de continuar.