✨ A História da Minha Família: Explosivos e Acolhimento de Refugiados
👨👩👧 LADO PATERNO
👨👦 AVÔ » Francisco Manuel Garcia
O meu avô paterno, Francisco Manuel Garcia, tinha sido padre. Ao que se conta, celebrou apenas uma missa e depois deixou o sacerdócio, casando-se várias vezes. Diz-se também que viajou até Paris e trouxe de lá uma parisiense para Vales Mortos, mas ela, naturalmente, acabou por fugir passado algum tempo. Casou com a minha avó já em terceiras núpcias e permaneceu com ela e com os filhos até à sua morte. Entretanto, este meu avô descobriu que a minha avó possuía uma grande mediunidade e, por isso, começou a praticar Espiritismo, aproveitando-se desse facto — mas sem qualquer interesse material.
📜 Acolhimento de refugiados em Vales Mortos
Agora, ao escrever este artigo e procurar um link sobre Vales Mortos, descobri uma pagina com referências a este meu avô que nunca cheguei a conhecer. O meu pai contava que, durante a Guerra Civil de Espanha, eles tinham acolhido republicanos que fugiam do ditador Franco. Pelos vistos, além de ser um homem de grande integridade — da qual o meu pai era o fruto mais evidente, a pessoa mais honesta e séria que conheci — o meu avô era também corajoso. Num tempo de fascismo, arriscou a vida da família para proteger quem precisava de abrigo.
👨👩👧 LADO MATERNO
👨👦 AVÔ » Celestino da Cunha Ribeiro
📜Fábrica 'da Pólvora sem Fumo' » Chelas
Meu avô materno entrou para a fábrica da pólvora de Chelas em 1930, onde o meu bisavô trabalhava e que foi responsavel por ir à Alemanha ter formação para a posterior compra de equipamentos. Hoje desconfio que tenha sido a central termoelétrica, que foi aprender a operar. Contava-se que esteve ao 'lado' de Hitler.
📜 SPEL - Sociedade Portuguesa de Explosivos
Em 1942, foi para a SPEL e foi, até à sua morte, o responsável máximo da fábrica localizada em Santa Marta de Corroios. Esta fábrica chegou a ter milhares de empregados durante a guerra entre o Irão e o Iraque.
O meu maravilhoso pai, depois de sair do seu Muxito, tentou vários negócios que não funcionaram, e o meu avô convidou‑o a ingressar na SPEL, onde permaneceu até se reformar como tesoureiro.
📜 DUBAI - destruir material explosivo
O meu avô, em 1969, esteve sozinho durante um mês no Dubai a destruir material explosivo, algo que, pesquisando hoje, me leva a suspeitar que fossem antigos paióis britânicos, numa missão de altíssimo risco.
Destruir paióis não é simplesmente colocar dinamite e afastar‑se. É exatamente o contrário. Envolve lidar com explosivos antigos e instáveis, degradados pelo calor, com componentes químicos deteriorados, detonadores corroídos, munições que podem reagir ao mínimo toque e vapores acumulados durante décadas.
As temperaturas no Golfo chegam facilmente aos 45–50 °C, e explosivos antigos expostos a calor extremo tornam‑se ainda mais sensíveis ao choque, à fricção e à própria temperatura, tornando tudo imprevisível. É o tipo de trabalho em que um erro minúsculo pode ser fatal
Durante o período em que o Dubai integrava os Estados da Trégua, sob proteção britânica, o Reino Unido mantinha na região bases e depósitos militares para apoiar as rotas do Golfo e garantir a segurança estratégica. Com a retirada britânica nos anos 60 e a aproximação da independência dos Emirados, muitos desses paióis ficaram obsoletos e exigiram operações especializadas para serem desativados em segurança.
Faleceu precocemente aos 56 anos, vítima de cancro da bexiga, provavelmente devido à exposição prolongada a ambientes tóxicos ... A lápide oferecida pelos seus empregados é um testemunho da consideração e do respeito que os seus subordinados lhe dedicavam .
Nesta página referência ao meu avô, quando houve uma grande explosão na fábrica : link.